D. Afonso Henriques

D. Afonso Henriques, cognominado “o Conquistador”, foi o primeiro Rei de Portugal, governando o pais de 1128 a 1185. Era filho de D. Henrique de Borgonha e de D. Teresa de Aragão, nasceu presumivelmente em Guimarães (no entanto Viseu é também outro local apontado para o seu nascimento) em finais de 1108 e faleceu em 1185.

Casou-se em 1146 com D. Mafalda, filha de Amadeu II, conde de Moriana e Saboia.

Após a morte do seu marido, D. Teresa ficou à frente dos destinos do Condado Portucalense, mas sob a influencia politica da família Peres de Trava.

O Infante toma então uma posição política oposta à de sua mãe, sob a direção do arcebispo de Braga D. Paio. Ter-se-á armado cavaleiro no dia de Pentecostes de 1122, na catedral de Zamora. Em Setembro de 1127 D. Afonso VII invadiu Portugal e cercou o Castelo de Guimarães, onde se encontrava o infante. Depois de D. Afonso Henriques ter reafirmado a sua lealdade perante Afonso VII, Rei de Leão, este desistiu de conquistar a cidade e levantou o cerco. Feitas as pazes com Afonso VII, a posição de D. Afonso Henriques e dos nobres que o acompanham volta-se contra D. Teresa e a família Trava. O conflito só viria a ser desfeito com a batalha de S. Mamede, que aconteceu a 24 de Junho de 1128 nos arredores de Guimarães, saindo vencedoras as hostes de D. Afonso Henriques. É a partir desta data que o Infante passa a governar o condado.

Depois de ter resolvido as desavenças na fronteira com a Galiza e assinado tréguas de dois anos com Afonso VII, voltou-se para a fronteira meridional, tendo fundado em finais de 1135 o castelo de Leiria, que viria a ser fundamental para a reconquista.

As atenções de D. Afonso Henriques voltam-se de novo para a fronteira setentrional, mas em simultâneo os muçulmanos tomam Leiria. Tendo seguro de novo a paz com Afonso VII, D. Afonso Henriques acorre ao sul, onde defrontou os muçulmanos na Batalha de Ourique. Esta famosa batalha viria a ser origem de muitas lendas, mas não se sabe ainda hoje com precisão o local onde se terá realizado este confronto. Há uma certeza, a partir daqui começou D. Afonso Henriques a intitular-se Rei. Ai inicia uma nova fase na sua política de reconciliação à Santa Sé, da qual se declarou vassalo em 1143.

O papa, no entanto, tratou-o apenas por Dux. Por sua vez, D. Afonso VII reage mal a esta posição de D. Afonso Henriques e não lhe reconhece o título de Rei.
A reconquista prosseguiu, e D. Afonso Henriques não perdeu a primeira oportunidade com que se deparou para conquistar Santarém e Lisboa. A primeira foi tomada de assalto em Março de 1147, o cerco da segunda foi, porém, demorada e difícil, tendo sido importante a ajuda dada pela expedição de cruzados que se encontrava de passagem pelo nosso litoral.

A cidade só veio a render-se em 24 de Outubro desse mesmo ano. Após estas conquistas, a atividade militar abrandou, pois era altura de procurar povoar e organizar o território e de incrementar a política de autonomia da Igreja portuguesa junto da Santa Sé. O principal obreiro desta política foi D. João Peculiar, arcebispo de Braga. Com a morte de Afonso VII, os seus dois filhos entenderam-se para submeter D. Afonso Henriques. Mas, com a morte de Sancho pouco tempo depois, alterou-se o panorama peninsular. Parece que terá então Fernando II reconhecido D. Afonso Henriques como Rei de Portugal, em troca do seu reconhecimento como Rei de toda a Espanha. Pensa-se que a fronteira meridional continuava a ser o Tejo.

D. Afonso Henriques foi auxiliado pelo rei de Leão, que, como rei das Espanhas, não podia deixar de se considerar obrigado a intervir, vindo a ser assinadas tréguas com os muçulmanos. A maioridade de Afonso VIII de Castela, em 1179, tornou a posição de D. Fernando II insustentável como rei das Espanhas. Desta forma, pressionado por diversos campos, veio a ceder, reconhecendo assim definitivamente a autonomia política de Portugal. Tanto mais que, pela Bula “Manifestis Probatum” de 23 de maio desse mesmo ano, o papa Alexandre III conferiu a D. Afonso Henriques o direito de conquista de terras aos muçulmanos sobre as quais outros príncipes cristãos não tivessem direitos anteriores, e foi nesta bula que, pela primeira vez, D. Afonso Henriques foi designado como Rei.

Após o incidente de Badajoz, a carreira militar de D. Afonso Henriques terminou praticamente. Dedicou a partir daí quase toda a sua vida à administração dos territórios com a corregência do seu filho D. Sancho. Tratou de fixar população e promover o municipalismo. Contou com a ajuda da ordem religiosa dos Cistercienses para o desenvolvimento da economia, predominantemente agrária.

D. Afonso Henriques faleceu a 6 de Dezembro de 1185 após um governo de mais de 57 anos. Foi sepultado na Igreja de Santa Cruz de Coimbra, onde ainda hoje permanecem os seus restos mortais.

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