Júlio Resende

Júlio Martins Resende da Silva Dias nasceu no Porto a 23 de Outubro de 1917. Era o segundo dos quatro filhos de Manuel Martins Dias, comerciante, e de Emília Resende da Silva Dias, professora de Música no Conservatório do Porto. Foi baptizado a 19 de Novembro desse ano na paróquia da Vitória.

Formou-se em Pintura no ano de 1945 pela Escola Superior de Belas-Artes do Porto e mais tarde parte para Paris onde recebe formação de Duco de La Haix e de Otto Friez. Inicia a sua actividade artística como ilustrador em semanários infantis e na imprensa diária ainda jovem.

Em 1946, Júlio Resende apresenta a sua primeira exposição em Lisboa e obtem uma bolsa de estudo no estrangeiro do “Instituto para a Alta Cultura”, e é nessa passagem pela Europa, em especial por Paris e Madrid, que tem contacto com as obras de Picasso e Goya, e assim despertou para a pintura abstraccionista.

Na década de 1950, o pintor fixa-se no Porto, partilhando o tempo entre a arte e o ensino. Por influência da região, “a gente do mar” passou a constituir o tema dominaste da sua pintura, apresentado a sua obra em exposições individuais em países como Espanha, Bélgica, Noruega e Brasil.

Nos anos 1960, Resende interessa-se por projectos de decoração e arquitectura, colaborando na decoração do Palácio da Justiça de Lisboa, para onde realizou seis painéis em grés.

No Porto, criou dois painéis cerâmicos para o Hospital de São João e ainda o gigantesco painel de azulejos “Ribeira Negra” que existe à saída do tabuleiro inferior da Ponte de D. Luís I. Os painéis acabariam mesmo por se tornarem num dos seus trabalhos mais apreciados.

Júlio Resende foi nomeado Membro da Academia Real das Ciências, Letras e Belas-Artes Belgas, em 1972, e em 1982 recebeu as insígnias de Comendador de Mérito Civil de Espanha atribuídas pelo Rei de Espanha.

Em Portugal foi distinguido com o Prémio AICA (Associação Internacional de Críticos de Arte) em 1985.

Teve uma longa carreira de professor, construída no ensino secundário, técnico e regular, e no ensino artístico universitário. E é autor de uma diversificada e premiada obra, marcada pelas viagens que foi fazendo ao longo da vida e pelos mestres que conheceu, que abrange essencialmente a pintura sobre tela ou mural, serigrafias e gravuras, vitral, painéis cerâmicos para obras de arquitectura, ilustração de livros e, ainda, cenários e figurino para teatro e ballet.

Grande parte da sua obra é apresentada em exposições, individuais e colectivas, em Portugal e no estrangeiro, desde os anos quarenta, e está patente em muitos e prestigiados museus e colecções particulares em Portugal, na França, no Brasil, na Finlândia, na Noruega, na Bélgica e em Macau.

Pintou quase até ao fim da vida no Porto, a cidade que o inspirou e à qual sempre voltou.
Faleceu em Valbom, Gondomar, a 21 de Setembro de 2011, aos 93 anos de idade.

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