Aurélio da Paz dos Reis

Pioneiro do cinema português, nasceu a 28 de Julho de 1862 na cidade do Porto, onde faleceu a 19 de Setembro de 1931. Foi comerciante e floricultor, fundou a Flora Portuense, a primeira casa do género em Portugal.

Como fotógrafo amador gostava de tirar retratos as pessoas do teatro. Explorava a estereoscopia, a fotografia em relevo. O gosto pela imagem levou-o a explorar o negócio e começou a vender película da marca Lumière & Jougla. Vendia também máquinas de escrever Yast e automóveis franceses da marca Minerva.

Paz dos Reis forma uma sociedade com um amigo, António da Silva Cunha e com o seu próprio cunhado, fotógrafo de profissão, Francisco Bastos Júnior.

Quando soube que os irmãos Lumière tinham construído os primeiros aparelhos de filmagem e projecção cinematográfica decidiu partir para Paris.

A ideia dele era comprar um cinematógrafo aos irmãos Lumière. Os irmãos franceses porém não lho vendem, mas Paz dos Reis não desiste e decide fazer aquilo que todos fazem, comprar noutro lado.

Resolve comprar a outros 2 irmãos, os Werner, estabelecidos na Cidade da Luz. Eles tinham lançado no mercado um aparelho cronofotográfico, uma variante do cinematógrafo, com diferente mecânica mas capaz de filmar tão bem como a máquina dos célebres inventores de Lyon. É com esta maravilha que Paz dos Reis se põe a filmar em frente da loja de um fiel amigo, mal chega da França.

Foi em 1896 que adquiriu a máquina de filmar e projectar, e no mesmo ano realizou e exibiu pela primeira vez, no Porto, 27 pequenos filmes.

O primeiro e o mais célebre foi Saída do Pessoal Operário da Fábrica Confiança (1896), rodado na esquina das ruas de Santa Catarina e Passos Manuel na cidade do Porto, que é uma réplica do primeiro da história do cinema, rodado na França pelos irmãos Lumière, em (1894 – 1895) La Sortie de l’usine Lumière à Lyon.

Não foi, no entanto, Paz dos Reis o autor das primeiras imagens animadas filmadas em Portugal. As primeiras são de um operador inglês com o nome de Henry W. Short, que acompanhava Edwin Rousby, um agente comercial do produtor e fabricante de equipamento de cinema Robert William Paul..

A projecção dos primeiros filmes rodados em Portugal tinha sido feita pouco tempo antes no Real Colyseu de Lisboa, na Rua da Palma, em várias sessões organizadas por Rousby, que duraram até ao dia 15 de Julho de 1896. Para isso teve o apoio técnico do lisboeta Manuel Maria da Costa Veiga que, como Paz dos Reis, se interessou pelo invento. Tornar-se-ia ele assim o segundo portugues a produzir e realizar filmes de actualidades e documentários em Portugal.

A cidade do Porto foi entretanto visitada por Edwin Rousby, que nela apresentou o teatógrafo em sessões públicas às quais Aurélio Paz dos Reis assistiu, a 17 de Julho, que tiveram lugar entre 7 de Julho e 10 de Agosto. É este evento que o entusiasma e o leva a decidir adquirir a curto prazo uma máquina de filmar, o que ele consegue numa deslocação que faz a França.

Paz dos Reis é considerado o pai da indústria cinematográfica em Portugal. Ele registou todos os acontecimentos de maior importância do seu tempo, principalmente os ocorridos no Porto.

Convencido de que o Brasil seria um campo produtivo para dar a ver a um público virgem um espectáculo inédito, Paz dos Reis parte de malas e bagagens, levando o equipamento consigo. Iria apresentar no Rio de Janeiro a sua «surpreendente colecção de quadros reproduzindo cenas e episódios da vida portuguesa, com vista de Portugal, e outros de actual interesse».

Chega ao grande país no principio de Janeiro. A apresentação do Kinetógrafo Português é programada para começar no dia 15, no Teatro Lucinda, uma sala independente do Rio. Mas, segundo os relatos da imprensa portuguesa que comentaram na altura o evento, a apresentação corre mal, Paz dos Reis é confrontado com problemas técnicos inesperados, a projecção é má. As sessões terminam a 20 de Janeiro. Regressa desanimado, e com probelmas financeiros, ele deixa-se de aventuras, deixando de vez de fabricar imagens animadas.

Resta-lhe a fama de ter filmado também no Brasil as primeiras, na avenida Rio Novo, no Rio de Janeiro

À parte essa sua faceta, pela qual é justamente recordado, desempenhou diversos cargos públicos, como os de vice-secretário e vice-presidente do senado da Câmara Municipal do Porto entre 1914 e 1921, bem como o de diretor do Ateneu Comercial dessa cidade, constituindo-se como uma figura dominante da sociedade da época.

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