Raiva – História

Louis Pasteur é o primeiro a desenvolver uma vacina anti-rábica.

A situação da raiva que se vivia na Europa no século XIX, era ainda de manutenção das práticas mais antigas e primitivas. Numa de suas lembranças infantis, Pasteur assistiu quando um lobo raivoso atacou homens e animais que cruzaram o seu caminho. Ele registrou o caso de um rapaz então ferido, chamado Nicole, que fora cauterizado num ferreiro próximo à casa paterna. Oito pessoas da região, mordidas nas mãos ou nas cabeças, morreram após horrível sofrimento – mas Nicole sobrevivera. A lembrança do ataque pelo lobo enlouquecido permaneceu por muitos anos no lugar.

O longo período de incubação da doença fazia com que as pessoas ministrassem diversos remédios nos ferimentos, e os médicos indicassem variados venenos para neutralizar o vírus. Em 1852 o governo ofereceu uma recompensa a quem indicasse um tratamento eficaz contra a raiva, e houve quem recomendasse uma primitiva receita de olhos de lagosta. A Academia de Medicina, consultada, respondeu que a queima era a única medida eficaz contra o mal.

Dezoito anos mais tarde, Bouley publicou num estudo que a solução era a destruição dos tecidos tocados pela saliva contaminada e, à falta de ferro em brasa para a cauterização, indicava o uso de substâncias cáusticas, tais como os ácidos nítrico ou sulfúrico ou até mesmo nitrato de prata. o método de Cornelius Celsus do século I ainda era o indicado, a ciência não tinha operado nenhum progresso no combate à raiva.

Foram os pesquisadores franceses, Louis Pasteur, Roux e Chanberlain, o primeiro químico, os dois seguintes médicos, auxiliados ainda pelo veterinário também francês Thuilier, que após exaustivas experiências, conseguiram o primeiro método eficiente para seu combate, através da vacinação pelos mesmos idealizada, e evidenciaram seu caracter infecto-contagioso, além de sua etiologia virica.
A doença pode também acometer os animais herbívoros, como o boi, o cavalo, a ovelha, a cabra, sendo que nos ruminantes como os bovinos, os sintomas são predominantemente paralíticos.
A raiva quando declarada em um animal, assim como no homem não tem cura, culminando sempre com a morte, após período breve de evolução e sintomatologia que impressiona sobremaneira.

Diversas formas de vacina foram desenvolvidas e são produzidas, atualmente, algumas delas destinadas a uso exclusivo veterinário; todas dependem de adequada conservação para sua eficácia, bem como a depender da espécie a ser imunizada o período de proteção pode variar – como no caso dos bovinos, que são protegidos por apenas 30-45 dias, bastante ampliado se houver uma aplicação de dose de reforço.

O avanço das pesquisas da biologia moleculare da engenharia genética levaram à criação de vacinas anti-rábicas que se utilizam de apenas partes da estrutura viral, de certos epítopos ou ainda de pedaços de peptídeos.

A vacina que melhores resultados apresenta em humanos é a desenvolvida a partir de culturas celulares e, destas, aquelas feitas com células diploides humanas; essa produção é muito dispendiosa, o que inviabiliza seu uso em países pobres.

A vacina tipo Semple, usada ainda na Índia, por exemplo, tem a possibilidade de produzir acidentes pós-vacinais, que podem levar à morte.

Desenvolvida no Instituto de Bacteriologia do Chile em 1954, a vacina feita a partir do cérebro de”camundongos” recém-nascidos foi inicialmente criada para uso em cães mas, a partir da década de 1960, passou também a ser usada em humanos. Esta vacina é a que se utiliza no Brasil.

Na China foi desenvolvida uma vacina a partir da cultura de células dos rins de hamsters, aplicada com relativo sucesso; tanto a chinesa quanto a chilena têm a vantagem do baixo custo.

A cura, em 2004

No ano de 2004 foi registrado o primeiro caso de cura da doença em paciente que não tomara a vacina, publicado nos Estados Unidos da América, utilizando-se um tratamento que consistia na sedação profunda (coma induzido) e uso de antivirais.

Este caso, utilizando-se do tratamento que passou a ser chamado Protocolo de Milwaukee, trouxe a possibilidade de cura para uma doença até então considerada letal.

Até 2008 o protocolo de Milwaukee havia sido aplicado em 16 casos, mas a técnica somente teve resultado positivo com dois pacientes – a jovem estadunidense e num rapaz brasileiro.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s